Cientistas políticos avaliam que Dilma perdeu o que restava de sua capacidade de governar após operação ter agindo a maior estrela do PT.
Após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se tornado alvo da Lava Jato, Dilma Rousseff perdeu o pouco que restava de sua capacidade de governar, avaliam cientistas políticos. A operação da Polícia Federal atingiu em cheio o mentor da presidente e a principal estrela de seu partido, o PT.

Põe e tira a faixa: investigações atingiram em
cheio Lula, comprometendo ainda mais a governabilidade de Dilma
Foto: Wikimedia / O Financista
Para o cientista
político Antônio Lavareda, a capacidade de governabilidade de Dilma foi
esgotada e a crise política atingiu um patamar que pede, com urgência, uma
resolução dessa crise, para que o País possa seguir adiante.
“Pela primeira vez
em um regime democrático, um ex-presidente é conduzido coercitivamente para
prestar depoimento e é associado a delitos dentro desse espectro da operação
(Lava Jato). Ou seja, o episódio de hoje agrava a crise política e acentua a
paralisia do governo no que concerne à condução de sua agenda econômica e
administrativa, fundamental para recolocar o país nos trilhos”, diz Lavareda.
Para Heni Ozi
Cukier, cientista político e professor de relações internacionais na ESPM
(Escola Superior de Propaganda e Marketing), a ação da Polícia Federal faz
com que o processo de impeachment de Dilma seja acelerado.
“É uma questão de
tempo, pois será muito difícil sustentar o apoio político. A exposição que tudo
isso está gerando, os índices de reprovação contra o PT, contra Dilma e Lula devem
aumentar.
E vamos enxergar o processo caminhar”, avalia Cukier.
A resolução mais
provável, para Lavareda, seria uma saída via Congresso, devido à necessidade da
classe política de encontrar a saída “mais rápida”. O caminho do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), via cassação da chapa, “leva meses” e faria o País
atravessar – nesse estado de paralisia – todo o restante do ano de 2016.
“Um afastamento da
chapa, hoje, levaria necessariamente a uma nova eleição. E isso não é
interessante para o país hoje.
O mais saudável é que repitamos a experiência de
1992”, afirma Lavareda, referindo-se ao processo de impeachment do
ex-presidente Fernando Collor.
"Nós contra
eles"
O discurso adotado
por Lula, após a 24ª fase da Lava Jato, enfatizou a questão do “nós contra
eles” e foi avaliada como “inteligente” por Lavareda. “É o único caminho que
ele pode trilhar. A condução coercitiva de Lula e seu esforço para se vitimizar
ainda tem a capacidade de despertar alguns graus de emoção na militância
petista. Afinal, ele encarna o que há de mais heroico e romântico na simbologia
do partido.”
Mas o Lula de hoje
está enfraquecido. “Óbvio que sempre haverá minorias – sobretudo petistas – que
poderão ser mobilizadas por sua retórica. Mas a maioria da opinião pública acha
que ele está, sim, comprometido com as investigações da Lava Jato, que ele é o
responsável pelas acusações que lhe são imputadas e rechaça, portanto, seu
posicionamento”, diz Lavareda.
O professor da ESPM
concorda que o “discurso para convertidos” do ex-presidente era sua única opção
no momento. “Não tem como o Lula ter outro discurso. Qualquer outro discurso já
não tem mais efeito, não funciona. Agora, ele só pode tocar o coração daqueles
que são seguidores fiéis, pois o resto já não acredita em suas palavras. Não por
hoje, mas por todos esses anos”, afirma Cukier.
Lula 2018
O cientista
político da Faculdades Rio Branco, Pedro Costa, avalia que a ação da
Polícia Federal na casa do ex-presidente teve caráter político com o objetivo
de diminuir as chances de o PT vencer a corrida presidencial de 2018.
A presidente “Dilma
[Rousseff] não é ameaça, quem ameaça é o mentor dela, o Lula. O objetivo é
exterminar o grande inimigo de 2018”, diz.
Além de afirmar que
a ação da PF desrespeitou a Constituição, o especialista considera que a
operação determina o início da campanha de Lula. "O PT não tem plano
B, não tem outro candidato. Se ele não for candidato as chances são mínimas
para o PT.”
O Financista