segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Inimigos da Pátria, por Mary Zaidan


Incapaz de olhar além do próprio umbigo, reconhecer erros e buscar correção de rumos, o PT tenta fazer com a economia o que fez com os seus malfeitos na política: gerar versões fantasiosas sobre a realidade e culpar o mensageiro pelo conteúdo desagradável da missiva.
Nessa toada, começou a espalhar a versão de que a oposição e analistas da grande imprensa estão torcendo para que o País afunde. Que, impatrioticamente, desejam pibinho e apagões.
Falam como se o PIB de 1% em 2012, talvez aquém disso, ou os malabarismos para fechar o ano fiscal fossem invenção diabólica de uma mídia satânica que teria como tarefa precípua desestabilizar governos petistas.
Mesmo de férias, coube ao ministro das Comunicações Paulo Bernardo os primeiros tiros oficiais, resposta ao artigo publicado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) no jornal Folha de S. Paulo. “Não dá para ele e a oposição ficarem torcendo a favor do pibinho e do apagão”, reagiu o ministro, mas sem contestar os números expostos.
No dia seguinte, neste blog, o ex-ministro José Dirceu adicionou o elemento que faltava: a mídia. Os “jornalões”, que, segundo ao réu condenado no processo do mensalão, “fazem campanha pelo apagão”.
Sem dúvida, melhor seria se tudo não passasse de oportunismo oposicionista e conservadorismo da mídia.
Que os apagões não existissem, que as contas públicas estivessem equilibradas, que a inflação não tivesse rompido a casa dos 6% e de mais de 10% quando se fala nos preços dos alimentos. Que o governo não lançasse mão de artifícios - tão grotescos que desacreditam o País – para fechar 2012.
Também não passam de invenção as pás eólicas gastando para ficar paradas, sem gerar um único watt, devido aos atrasos nas obras dos sistemas de transmissão. Os otimistas falam em aproveitamento parcial delas daqui cinco ou 17 meses.
Enquanto isso, dá-lhe o caro e poluente gás como fonte complementar. Isso, com produção industrial baixíssima ou negativa. Imaginem como seria com um pibão.
Como não há sedimento para tapar os buracos, a pregação do governo e do PT de que tudo não passa de torcida contra da oposição e da mídia tende a aumentar.
Vale tudo. Até dizer – como se viu nas redes sociais - que o blecaute de uma hora que atingiu 33 cidades do Piauí na mesma manhã em que a presidente Dilma Rousseff desembarcava no estado foi sabotagem; coisa da direita ou criação da imprensa. Uma prática conhecida.
Mas é melhor ter cuidado. Dizer que o mensalão era ficção não serviu para a Suprema Corte. Na economia, é ainda mais difícil que o enredo cole. O bolso, não raro, é mais sensível do que a razão.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

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