domingo, 29 de julho de 2012

“A batalha da democracia”


Agosto começa com os corações e mentes dos brasileiros voltados para a Praça dos Três Poderes, em Brasília; especificamente, para o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF). Lá, 11 ministros da maior corte de Justiça do país começam a julgar o maior processo político já realizado no Brasil, em tempos democráticos e de plena liberdade política – o chamado Mensalão do PT, o pai de todos os mensalões.
Usando dinheiro público, o governo Lula e o PT montaram um esquema de pagamento a parlamentares do partido e de outras agremiações para garantir apoio aos seus projetos no Congresso Nacional. Pagou-se a partidos pelo apoio político.
E o PT fez mais: desviou dinheiro público da ordem de 140 milhões de reais para financiar centenas de candidaturas petistas nos estados e no Distrito Federal, o chamado Caixa 2. Foi assim que o PT cresceu sua representação nas prefeituras, nas câmaras de vereadores, nos governos estaduais e no Congresso Nacional.
O PT aumentou seu espaço político assim, dessa maneira. Com dinheiro sujo, roubado do povo e usado ilegalmente para financiar campanhas políticas, além de eventualmente enriquecer um ou outro dirigente. Como nunca se vira antes na história desse país, o governo Lula institucionalizou o Caixa 2 com dinheiro público, numa desavergonhada e nefasta ação política que desmoralizou o PT, desacreditando ainda mais a atividade política junto à população.
Mas, agora é a hora da verdade. A hora de caírem todas as máscaras. A hora de desmascarar as mentiras, os devaneios dos acusados e dos envolvidos, como o ex-presidente Lula, que primeiro se disse “traído” e depois passou a acusar a imprensa e a elite brasileiras de “inventar” o mensalão.
Como se não houvesse provas como o dinheiro na cueca, os vídeos, os extratos bancários, os empréstimos fraudulentos, as confissões de alguns dos acusados, tudo minuciosamente amealhado na acusação de “formação de quadrilha” da Procuradoria Geral da República que atingiu toda a cúpula do PT na época.
Mas, como eles não desistem, como a mentira é prática política permanente deles, nos dias de hoje tentam usar a CPMI do Cachoeira, no Congresso Nacional, para desviar a atenção da opinião pública para o julgamento do Mensalão do PT. É assim que agia e que age a “organização criminosa” denunciada pela Procuradoria Geral da República.
Tenta-se inverter os papeis, criando situações artificiais para envolver esse ou aquele político de oposição, numa escandalosa manipulação de um instrumento institucional como é a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Nela, protegem-se os amigos de hoje e tentam-se condenar os adversários de sempre, que sempre os derrotaram nas urnas estaduais. É a partidarização e o aparelhamento dos instrumentos do Estado, prática condenável e tão comum ao PT.
Mas, todas essas manobras e outras, como a tentativa de postergar o julgamento, não impedirão a justa condenação que eles merecem na suprema Corte do país, por todos os indícios, provas e depoimentos coletados e inseridos nos autos do processo. Um mártir norte-americano define muito bem essa iniciativa petista de tentar esconder o “mal feito”, de tentar manipular a mídia e a opinião pública com uma frase definitiva para esses casos: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo.” A frase do ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, é emblemática e resume todo o sentimento da nação brasileira no caso do mensalão do PT que envergonhou a todos nós.
O STF é a esperança, é a certeza de que eles não continuarão enganando o povo brasileiro como fizeram e fazem até os dias de hoje. É a reafirmação da Justiça brasileira. O papel dos 11 ministros remonta a outro histórico momento da humanidade, à outra frase história de um líder inglês, Winston Churchil, sobre os pilotos que defenderam os céus britânicos dos ataques da aviação nazista, em maior número e em melhores aeronaves. “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”, disse o primeiro ministro inglês.
O julgamento do mensalão do PT é a nossa batalha pela manutenção de nossa incipiente democracia. É a batalha dos homens e mulheres de bem pela verdade. É a batalha da verdade, da fé na Justiça, a batalha a favor da verdadeira democracia, do respeito ao dinheiro público, da luta contra a tentativa de se apoderar do aparelho do Estado.
Em agosto, simbolicamente, os 11 ministros do STF serão aqueles bravos homens que diante do autoritarismo, da falsa propaganda nazista de Joseph Goebbels, das mentiras de Adolf Hitler resistiram e garantiram a integridade e a democracia de um povo. Se, por acaso, em algum momento do julgamento, algum dos 38 indiciados for inocentado, o mal que isso representará para a nação brasileira será irreparável e devastador. Porque, daí em diante, tudo será permitido e o país pagará um preço caríssimo em seus valores transcendentais como povo. Mas, isso não acontecerá. O STF é, neste momento crucial da história brasileira, o Guardião da Democracia. E não faltará à História do Brasil. Thelma de Oliveira

sábado, 14 de julho de 2012

Vote no blog Fique Por Dentro Jaguariaíva do TopBlog 2012



O blog foi indicado pelo terceiro ano consecutivo para  concorrer ao Top Blog. 
A partir de hoje conto com o seu voto para o prêmio TopBlog 2012. A  votação começa hoje sábado dia 14. Desde já os meus agradecimentos por mais esse voto que estimula nosso trabalho. Click no banner do TopBlog ao lado direito vote e depois confirme no seu Email. Obrigado

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A FOTO DE UM BRASIL QUE NÃO SABE O QUE É HONRA



Augusto Nunes
“O símbolo da pouca vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente. Daremos a nossa vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente.” (Lula, junho de 1984)
“Como Maluf pode prometer acabar com ladrão na rua enquanto ele continua solto?” (Lula, setembro de 1986)
“Os administradores do PT são como nuvens de gafanhotos.“ (Paulo Maluf, março de 1993)
“Maluf esquece de seu passado de ave de rapina. O que ameaça o Brasil não são nuvens de gafanhotos, mas nuvens de ladrões. Maluf não passa de um bobo alegre, um bobo da corte, um bufão que fica querendo assustar as elites acenando com o perigo do PT. Maluf é igualzinho ao Collor, só que mais velho e mais profissional. Por isso é mais perigoso.” (Lula, março de 1993)
“Ave de rapina é o Lula, que não trabalha há 15 anos e não explica como vive. Ave de rapina é o PT, que rouba 30% de seus filiados que ocupam cargos de confiança na administração. Se o Lula acha que há ladrões à solta, que os procure no PT, principalmente os que patrocinaram a municipalização do transporte coletivo de São Paulo”. (Maluf, março de 1993)
A foto abaixo informa que, em 18 de junho de 2012, sem que nenhum deles tivesse abjurado publicamente o que disse do outro, os velhos inimigos se juntaram para vender ao eleitorado paulistano a mercadoria que Lula contempla com o olhar orgulhoso de criador e Maluf afaga com o olhar guloso de quem vê um novo filão a explorar.
 
Fernando Haddad tem o jeito hesitante do filhote que não consegue andar sozinho.
À esquerda, o sorriso de Rui Falcão atesta que o presidente do PT está feliz por confraternizar com o que sempre chamou de “direita reacionária”.
À direita, o vereador Wadih Mutran, negociante de longo curso, avalia quanto vale um Haddad fantasiado de nova esquerda.
O chefe da seita, Aquele que Só dá Ordens, curvou-se à imposição de Maluf: além de outro cofre no Ministério das Cidades, o dono do PP fez questão de posar para a posteridade ao lado de Lula.
É uma foto para se guardar. Desnuda a cara de um Brasil Maravilha que não sabe o que é honra nem tem vergonha de nada. Escancara a face horrível da Era da Impunidade.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Homem é resgatado após ficar cinco dias preso em ferragens, em Jaguariaíva


Resgate durou aproximadamente duas horas  (Foto: Divulgação / PRE)

Resgate durou aproximadamente duas horas
                                                     (Foto: Divulgação / PRE)

O caminhoneiro Renato Varela de Oliveira foi encontrado por volta das 18h de quinta-feira (7) em
 uma ribanceira no município de Jaguariaíva, na região central do Paraná. 
Segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), o motorista perdeu o controle da direção em uma
 curva da PR-151 e estava preso nas ferragens desde o sábado (2).
"Como o local é de mata fechada, ninguém conseguiu ver o caminhão tombado",
 explicou o cabo Koproski da PRE. O motorista tinha saído de São Paulo e seguia para o Rio Grande do Sul.
Ele contou aos bombeiros que consumiu parte das laranjas que transportava no caminhão para
 conseguir sobreviver.
"Foi horrível. Eu passei pelo menos dois dias embaixo de chuva. Senti frio e muita dor. 
Graças a Deus as laranjas caíram na cabine do caminhão e como eu estava somente com as pernas presas,
 consegui alcançá-las e sobreviver com elas. Acho que chupei pelo menos uma dúzia", explica Oliveira.
Foi horrível. Passei pelo menos dois dias embaixo de chuva"
Renato Varela de Oliveira, caminhoneiro
O caminhoneiro foi encontrado pelo pai, que após o sumiço resolveu procurá-lo por conta própria
 Ele contou aos bombeiros que passou várias vezes pelo local e não avistou o caminhão. 
O resgate durou aproximadamente duas horas.
"Eu nem acreditei quando vi meu pai na minha frente. Parecia um milagre.
 Foi o abraço mais longo que já dei em alguém. Uma emoção que não tem tamanho", contou Renato.
Segundo uma das enfermeiras do Hospital Carolina Lupion, o caminhoneiro tem 43 anos
 chegou bastante debilitado, com frio, cansado e com escoriações pelo corpo. Ele foi internado e está bem. 
Até as 11h desta sexta não havia previsão de alta.
Fonte: Adriana Justi Do G1 PR

domingo, 27 de maio de 2012

Lula, Bastos e um coração bobo, por Mary Zaidan


O silêncio anunciado do principal protagonista, os deploráveis joguetes de governistas e da oposição. Tudo enfadonho. Até agora, o único acontecimento digno de nota na CPI mista que deveria investigar as ilicitudes públicas e privadas de Carlos Cachoeira foi Márcio Thomás Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula, sentado, atento e aplicado, ao lado de seu cliente contraventor durante mais de duas horas de interrogatório inócuo.
Na semana, a cena só perde para a do próprio Lula, que voltou a vociferar contra as elites – a mesma que teve e tem benesses e benesses de seu governo e do de sua sucessora – e contra a imprensa, rebatendo na tecla de que o Mensalão não passou de uma invencionice para tentar derrubá-lo.
Disse isso de novo, de cara lavada, desta vez dentro da casa legislativa de São Paulo, onde recebia o título de cidadão honorário da cidade. Sempre vítima - do preconceito das elites contra um operário, e até de seus companheiros, que o traíram, como disse nas desculpas públicas que fez ao país no auge do Mensalão -, Lula já deixou claro que não perderá uma única oportunidade para negar o maior escândalo do país, prestes a ser julgado pelo STF.
Além da desfaçatez, os dois episódios trazem outros pontos biunívocos. Bastos argumenta que todo acusado tem direito à defesa. O óbvio do óbvio. Mas não explica por que decidiu defender, entre tantos encarcerados, logo esse réu, metido com entes públicos de primeira grandeza, a maior parte deles integrante do governo a que ele serviu.
Por que esse réu merece ter como defensor um ex-ministro da Justiça? De onde virão os honorários? Da contravenção?
As frases do compositor e cantor Alceu Valença no Facebook são precisas: “dizem que o advogado vai ganhar R$ 15 milhões para defender Cachoeira. Esta dinheirama, certamente, vem do arrombamento dos cofres públicos e trambiques (…). Honorários pagos com dinheiro desviado, ilustre causídico, não é prática ética e moral”.
E completou: “estudei Direito, poderia ser advogado, mas jamais aceitaria defender Cachoeira, nem por uma enxurrada de dinheiro”.
Grande Alceu.
Por gosto, Alceu, 40 anos de carreira na MPB, continua labutando duro e comandando a alegria nos palcos do país.
Por escolha, Bastos aceita clientes de conveniência do poder a que ele serviu e serve.
Por gosto, escolha, confiança na popularidade e na impunidade, Lula insiste em reescrever a história só para proteger a si e aos seus.
Grande Alceu. Ainda bem que temos o seu Coração bobo.

 Alceu Valença e Zé Ramalho

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

QUE FIQUE CLARO! AVANÇO DE LULA SOBRE O STF É AINDA MAIS GRAVE DO QUE ESCÂNDALO DO MENSALÃO. É A MAIS GRAVE AGRESSÃO AO ESTADO DE DIREITO DESDE A REDEMOCRATIZAÇÃO. O DICIONÁRIO REGISTRA O QUE LULA TENTOU PRATICAR: “CHANTAGEM”!!!

Nosferatu não quer largar o nosso pescoço e o do estado de direito! Chega, Nosferatu!  Vá militar no Sindicato dos Vampiros Aposentados!



Nosferatu não quer largar o nosso pescoço e o do estado de direito! Chega, Nosferatu! Vá militar no Sindicato dos Vampiros Aposentados!

Espalhem a verdade na rede. Um ex-presidente da República, chefe máximo do maior partido do país  — que está no poder —, atuou e atua como chantagista da nossa corte suprema. Lula se coloca no papel de quem pode chantagear ministros do STF.

A reportagem que VEJA traz na edição desta semana expõe aquela que é a mais grave agressão sofrida pelo estado de direito desde a redemocratização do país — muito mais grave do que o mensalão!!! Alguns setores da própria imprensa resistem em dar ao caso a sua devida dimensão, preferindo emprestar relevo a desmentidos tão inverossímeis quanto ridículos, porque se acostumaram a ter no país um indivíduo inimputável, que se considera acima das leis, das instituições, do decoro, dos costumes, do razoável e do bom senso. Quanto ao dito “desmentido” de Nelson Jobim, acho que o post publicado pelo jornalista Jorge Moreno (ver abaixo) fala por si mesmo.
Não há por que dourar a pílula. O que Lula tentou fazer com Gilmar Mendes tem nome nos dicionários: “chantagem”. O Houaiss assim define a palavra, na sua primeira acepção:
“pressão exercida sobre alguém para obter dinheiro ou favores mediante ameaças de revelação de fatos criminosos ou escandalosos (verídicos ou não)”.
Atenção, minhas caras, meus caros, para a precisão do conceito: “verídicos ou não”!!! No “Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa”, aquele que já registra o verbete “petralha”, lemos:
“Pressão que se exerce sobre alguém mediante ameaça de provocar escândalo público, para obter dinheiro ou outro proveito; extorsão de dinheiro ou favores sob ameaça de revelações escandalosas”.
Atenção para a precisão do conceito: “mediante ameaça de provocar escândalo público”. A questão, pois, está em “provocar o escândalo”, pouco importando se com fatos “verídicos ou não”.
Aplausos para o ministro Gilmar Mendes, que não se acovardou! É bom lembrar que, pouco depois dessa conversa, seu nome circulou nos blogs sujos, financiados com dinheiro público, associado à suposição de que teria viajado à Alemanha com o patrocínio de Carlinhos Cachoeira. Não aconteceu, claro! Mendes tomou as devidas precauções: comunicou o fato a dois senadores, ao procurador-geral da República e ao Advogado Geral da União. Poderia mesmo, dada a natureza da conversa e seu roteiro, ter, no limite, dado voz de prisão a Lula. Imaginem o bafafá!
Não é segredo para ninguém
As ações de Lula nos bastidores não são segredo pra ninguém. TODOS — REITERO: TODOS!!! — OS JORNALISTAS DE POLÍTICA COM UM GRAU MÍNIMO DE INFORMAÇÃO PARA SE MANTER NA PROFISSÃO SABEM DISSO! E sabem porque Lula, além de notavelmente truculento na ação política — característica que passa mais ou menos despercebido por causa de estilo aparentemente companheiro e boa-praça —, é também um falastrão. Conta vantagens pelos cotovelos. Dias Toffoli, por exemplo, é um que deveria lhe dar um pito. O ex-presidente e seus estafetas têm a pretensão não só de assegurar que ele participará do julgamento como a de que conhecem o conteúdo do seu voto.
Lula perdeu a mão e a noção de limite. Não aceita que seu partido seja julgado pelas leis do país, assim como jamais aceitou os limites institucionais nos quais tinha de se mover. Considera que a legalidade existe para tolher seus movimentos e para impedir que faça o que tem de ser feito “nestepaiz”.
Sua ação para encabrestar ministros do Supremo é, se quiserem saber, mais nefasta do que o avanço do Regime Militar contra o Supremo. Aquele cassou ministros — ação que me parece, em muitos aspectos, menos deletéria do que chantageá-los. O mensalão foi uma tentativa de comprar o Poder Legislativo, de transformá-lo em mero caudatário do Executivo. A ação de agora busca anular o Judiciário — na prática, o Poder dos Poderes.
Obrigação do Supremo
O Supremo está obrigado, entendo, a se reunir para fazer uma declaração, ainda que simbólica, à nação: trata-se de uma corte independente, de homens livres, que não se submete nem à voz rouca das ruas nem à pressão de alguém que se coloca como o dono da democracia — e, pois, como o líder de uma tirania.
Chegou a hora de rechaçar os avanços deste senhor contra as instituições e lhe colocar um limite. A Venezuela não é aqui, senhor Luiz Inácio. E nunca será! De resto, é inescapável constatar: ainda que haja ministros que acreditem, sinceramente e por razões que considera técnicas, que os mensaleiros devem ser inocentados, não haverá brasileiro nestepaiz que não suspeitará de razões subalternas. Pior para o ministro? Pode até ser, mas, acima de tudo, pior para o país.
Lula se tornou um vampiro de instituições. É um passado que não quer passar. É o Nosferatu do estado de direito!


Por Reinaldo Azevedo

domingo, 20 de maio de 2012

Voltando com um belo artigo de Mary Zaidan: 'Você é nosso e nós somos teu'


Português abaixo da crítica, conteúdo mais baixo ainda. Assim pode ser definida a mensagem do deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) ao governador Sérgio Cabral, flagrado pelas câmaras do SBT durante reunião da CPI mista que deveria investigar as estripulias do contraventor Carlos Cachoeira. "A relação com o PMDB vai azedar. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu.”
Embora não tenha revelado nada de novo, Vacarezza deu um azar danado.
Nos 83 toques em que confessa amor eterno ao governador do Rio, o ex-líder do governo na Câmara expôs com todas as letras o que muitos estão cansados de saber, mas jamais revelariam: a blindagem total aos que interessam – governo, PT e aliados amigos - em uma CPI patrocinada pela maioria, talvez a única na história.
Coisa que só a onipotência do ex-presidente Lula poderia conceber.
Precedida ou seguida de um “Por que? O que houve?” do preocupado interlocutor – algo a que poucos deram atenção -, o torpedo de Vacarezza ganha potencial explosivo. Pode significar muito mais do que a óbvia proteção aos cupinchas. Deixa claro que de sério a CPI tem pouco ou quase nada. Coisa para a plateia ver.
Mas o que será que tanto apoquenta Cabral? Se, como diz, não aparece em gravação alguma, não precisaria de proteção adicional. Muito menos de informações online, no auge do debate, sobre o quadro de convocações da CPI.
Os guardanapos dos seus lhe perturbam a cabeça? Teme novas fotos? Novas revelações?
Os motivos que levariam líderes de primeira grandeza do PT a se indispor abertamente com o PMDB, maior aliado e detentor da vice-presidência da República, são ainda mais inexplicáveis. Só mesmo encrencas das grandes valeriam tal preço.
Questões se amontoam às dezenas. Poucas serão respondidas a se medir pela primeira lista de convocações da CPI, todas para ouvir o que a Policia Federal já cansou de ouvir.
Uma comissão que se faz de inútil. Que, por escolha e gosto, desconsidera descalabros atrás de descalabros sob o argumento de que não se enquadram no escopo das investigações.
Imaginam, também por escolha e gosto, que investigações têm limites controláveis, esquecendo-se que a CPI mais devastadora já realizada no país começou com um alvo, o pagamento de propina nos Correios, e achou outro muito mais gigantesco, o mensalão.
Por essas e outras, é melhor proteger uns e outros, mandar torpedos e SMS – já que ligações telefônicas são perigosas demais – e tentar não dar sorte para o azar. Para quem deve e teme, não é um risco que dê para correr.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan